segunda-feira, 12 de maio de 2008

M&M's

Hoje, começo com um vídeo retirado da publicação on-line GOOD Magazine, o titulo é Internet Porn.

Depois disto, as visitas ao blog deverão subir em flecha.


"Pornografia" termo constituido do grego pela conjugação das palavras "pórne" - prostituta e "gráphein" - descrever. O termo pornografia foi utilizado pela primeira vez na descoberta de muitas pinturas e esculturas que retratavam sexo explícito durante escavações de Pompeia. Mas a "arte" de retratar a relação sexual e o nú humano é quase tão antiga como a existência da comunicação.

Due Amanti (Two Lovers) - Giulio Romano 1523-1524

Hoje, o que em tempos foi uma representação ou desejo de perfeição do corpo humano, é um negócio, os números mencionados no vídeo falam por si. O sexo sempre foi algo poderoso, a sua comercialização constitui uma das mais rentáveis actividades legais no mundo, servindo por vezes como barómetro de sucesso para novos suportes tecnológicos como por exemplo o formato de vídeo Blue Ray.

Será que existe uma barreira bem definida entre a arte, erotismo e pornografia? A resposta não é simples, por vezes a representação artística do sexo/corpo ultrapassa largamente o espaço que se poderia considerar como a barreira entre as formas.

Kim Joon

Poderá dizer-se que a pornografia visa no imediato a excitação sexual, ao passo que o erotismo e a representação artística terão como função visar um conhecimento do desejo, através de uma cúmplice relação à distância. Podendo no final resultar numa excitação sexual, como forma de prazer.

O corpo humano e os seus órgãos sexuais, são sem duvida uma uma fonte de beleza cheia de propriedades estéticas, quando fotografado é quase unânime se incluir essa forma como artística, mesmo que o seu conteúdo seja pornográfico. Isto pode originar o principio de que a barreira entre eles será o suporte/interpretação. Mas quantas vezes nos deparamos com imagens de nus e não conseguimos distinguir se o que gostamos é a cor, o contraste, a mensagem ou se é apenas o corpo/modelo nelas contido.

Martin Kovalik

Para complicar ainda mais esta questão ficam estes links que recomendo vivamente, mesmo sabendo que poderão chocar, o que importa é a maneira como olhamos para as coisas.

"A natureza não cria obras de arte. Somos nós, com a peculiar capacidade de interpretação do cérebro humano, que vemos arte." - Man Ray

1 - http://www.riethausen.de/index.html - Jorg Riethausen
2 - http://fototest.czweb.org/ - Martin Kovalik
3 - http://suicidegirls.com/ - Para quem viu "Californication", este site não deve ser totalmente desconhecido.
4 - http://www.mrhawks.com/ - Aaron Hawks
5 - http://www.kulaphotography.com/taschen/12.html - Vlastimil Kula
6 - http://www.kimjoon.co.kr/ - Kim Joon - corpos humanos pintados e interlaçados
7 - http://www.perrygallagher.com/ - Perry Gallagher
8 - http://www.juliaosarmento.com/# - Júlio Sarmento - para fazer as honras da casa.

A navegação nestes sites é da vossa inteira responsabilidade, contêm nudez e cenas eventualmente chocantes.

A musica de hoje tem um vídeo que também bebe nos icons Porn.

Simian Mobile Disco - Hustler


Extras (ena, ena, hoje até há extras):

Outra versão do video dos Simian Mobile Disco .

www.beirutband.com - O site de Beirut está muito bom.

Um wallpaper muito porco

1 comentário:

Scissorhands disse...

Se um objecto não tem outro propósito para além da titilação através da representação de um acto ou de um corpo em todo ou em parte, será em princípio pornográfico. É o critério americano de "no redeeming social values". Este "social" foi mal interpretado como tendo de ser algo edificante e instrutivo, mas a produção de uma intenção estética também pode (e deve) ser entendida como algo que eleve o objecto para fora da pornografia.
Como tal, houve muito porno "educativo", e ainda hoje há porno "cómico" (http://www.youtube.com/watch?v=45ZULaqnvMk&NR=1)


Exemplos cinematográficos para reflexão (será que se safam?):
A mamada no fim do "Brown Bunny" (Vincent Gallo)
A orgia dos "Idiotas" (Lars von Trier)
Os últimos filmes da Catherine Breillat (atenção ao que vai sair agora!)
"Intimidade" (Patrice Chéreau)
"O Império dos Sentidos" (Nagisa Oshima)
"Garganta Funda" (Gerard Damiano)
"Zabriskie Point" (Antonioni)
"Saló" (Pasolini)


Mas, um objecto de outro modo dito erótico (representando ou potenciando desejo mas com valor estético) não poderá ser despromovido se se destinar a um outro tipo de sedução ou titilação, desta vez com intuitos comerciais? (vide PUB.)

E onde é que isso deixa os videclips como o "Honey" dos Tosca (http://www.youtube.com/watch?v=akiLFsHZ0nY) ou este (http://www.youtube.com/watch?v=jynIMoGYs9g&feature=related), uma vez que a dança num ambiente social tende de qualquer modo para expressão vertical de um desejo horizontal (alguém vai ao Andanças este ano?). Alguém discorda que um videoclip, em geral, serve para "vender" a imagem, a ideia ou a clique de uma música através dos valores que lhe são associados?

Ui Ui venham as flames que eu já tenho o fato anti-fogo posto!